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Sexta-feira, Maio 29, 2009
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Terça-feira, Fevereiro 03, 2009
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Terça-feira, Dezembro 23, 2008
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Quarta-feira, Outubro 22, 2008
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Segunda-feira, Setembro 29, 2008
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Quinta-feira, Agosto 21, 2008
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Quinta-feira, Julho 17, 2008
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Quinta-feira, Junho 05, 2008
Notícias do limbo
Querido amor,
Trago notícias do limbo. Aqui não faz sol e nem chuva, frio ou calor. Os dias são iguais às noites assim como estas letras simétricas. Peço, desde já, desculpas pela forma sonolenta do relato, mas outra forma não haveria como chegar aos teus olhos, quiçá ao coração. Gostaria imensamente que recebesse esta cheia de descobertas e felizes encontros, flores na estrada e temperaturas inusitadas. Quero que saiba que jamais te escreveria à toa se, realmente, não estivesse esta pobre alma perdida entre um parágrafo e outro.
Ciente e arrependida de meus crimes cumpro abnegada minha pena. Conto os dias com riscos na parede e, ao mirar o mural de retalhos, desespero-me com o tempo esquartejado e jamais recuperável. Daqui do limpo contemplo o infinito do que não fiz, do que não comi e, principalmente, do que não fui. Faz parte da pena a turbulência dos próprios pensamentos e o silêncio do futuro.
Quanto tempo mais ficarei por aqui? Com certeza o meu nobre anjo está a perguntar. É necessário que entenda a natureza do meu crime imprescritível, inafiançável e incomensurável por seu torpor. Trata-se de uma abominação continuada, logo a pena também o é. Sei que há volta, há fim dentro deste enorme círculo vicioso, no entanto a data não foi registrada nos livros oficiais do limbo. Preciso ter paciência ao vislumbrar cada manhã sem cor, posto que seja chama escondida dentro de mim.
Certa de encontrá-lo bem coloco neste envelope meus cacos. Guarde-os numa caixa grande e arejada. Voltarei para juntá-los.
Com amor, sempre tua.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 13:57
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Sexta-feira, Maio 30, 2008
Houve um grande motim na Gaveta Verde. As crônicas e contos, seguindo outra corrente libertária, estão migrando para o novo blog (www.gavetaverde.blogspot.com). No entanto, os poemas decidiram, em assembléia extraordinária, manter este blog como foi criado: tímido e intimista. Aos traidores...Boa sorte!
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 15:08
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Quarta-feira, Maio 21, 2008
Devido a crise, a Gaveta Verde mudou-se para www.gavetaverde.blogspot.com
Viu o passarinho verde e degringolou.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 14:13
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Terça-feira, Maio 06, 2008
O último baile
- Bom dia, minha paixão! Hoje faz vinte anos que eu te amo!
- Ah, meu amor, que gracinha... Você lembrou!
- Claro. Como eu poderia esquecer o dia mais importante da minha vida? Hoje vamos sair, dançar e, quem sabe um hotelzinho? Heim? Heim?
- E a gente está podendo?
- Dá-se um jeito. Quero você bem bonita esta noite...
- Pode deixar.
Fez a faxina do dia bem rápido. Tomando o maior cuidado para não quebrar as unhas e nem deixar inhaca de água-sanitária. Chegou ao salão, fez o cabelo e as unhas. Vermelhas. Cor da paixão. Passou no shopping da Uruguaiana e comprou um vestido da cor das unhas e pintou a boca de paixão. Voltou na casa da patroa e terminou de se emperiquitar. Chegou à casa linda, maravilhosa, com o rosto em brasas radiantes... Para encontrar o traste bêbado, todo mijado, esponjado na cama sagrada.
A filha, com dó, chamou a mãe para o baile funk para aproveitar todo aquele empreendimento. Enxugou a raiva que escorria pelo queixo e foi. Ficou lá, deslocada, o peito apertando mais do que o sapato. A vergonha maior do que as unhas e os cabelos presos num lindo coque de desprezo.
Voltou para casa às três horas da madrugada. Mais sóbria do que gostaria e menos do que conhecia, entrou na vila esperançosa de encontrar o traste na porta ansioso, preocupado com sua amada. Mas na mesma posição que o deixou, estava. Tirou a maquiagem e a roupa lentamente. Na ponta dos pés deitou ao lado daquele resto de homem.
Às cinco horas, o resto acordou com cheiro de vômito, passando a mão, querendo coisas. Mandou-o enfiar aquilo numa garrafa e virou para a parede.
Perdeu o gosto de comemorar aquela data. Não sabe por que ainda não deixou aquele homem.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 18:23
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Quarta-feira, Abril 30, 2008
Não vou postar nada no mês de abril. Não gosto desse mês.
Amo maio. Volto quando chegar.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 17:27
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Sábado, Março 29, 2008
Uns e outros
Outro sentou com as pernas abertas, guardou a ponta da gravata no bolso e pôs-se a devorar um cachorro-quente no banco da praça. Na segunda abocanhada viu Um olhando comprido para o sanduíche. Outro ofereceu. Um sorriu. Outro pediu para Um um x-com-tudo-dentro e uma coca. Um ao lado do outro, com uma mão equilibravam a refeição, com a outra mantinham em segurança seus pertences: Outro, a pasta de couro, Um, o saco de amendoim. Comeram em silêncio. Depois, ficaram ali olhando os pés um do outro e se limpando. Um ofereceu amendoim. Outro aceitou uma prova por simpatia. O gato de rua parou entre Um e Outro e ficou. Embolou oferecendo a barriga, pulou no pé de Um e puxou o cadarço de Outro. Riram. Outro perguntou se Um queria o gato. Um queria, mas não poderia cuidar, pois a mãe não gosta de bicho. No entanto, sabia Um, um dia seria veterinário. Outro falou que, embora gostasse muito de gato, não tinha tempo para cuidar do bichano; viajava muito; morava sozinho. Um se ofereceu para cuidar do bicho na casa de Outro. Entendia de ração, caixa-de-areia, corte de unha e limpava tudo muito bem. Fora auxiliar geral numa veterinária, mas ela falira. Foi quando começou a vender amendoim para voltar um dia a estudar. Oitava série. Outro perguntou a Um se aceitaria um salário para cuidar do gato. Mas teria que manter tudo limpo, não vender mais amendoim na noite e continuar estudando para ser veterinário. Afinal, alguém tem de cuidar deste gato.
Um pegou o gato no colo. Outro pagou a conta.
E por causa de uns e outros, o mundo vai ficando melhor.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 12:33
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Terapia acelerada
Faria sentido vasculhar os meus cueiros para entender por que passei um período de minha vida careca, banguela e me borrando toda? Mas eu não tenho problema com isso. Não suporto o cheiro de carne podre. Sinto longe. Até filé congelado me lembra defunto. No entanto, adoro churrasco mal passado, sangrando, digo, mugindo! Talvez eu tenha recebido informações subliminares demais nas aulas de Educação, Moral e Cívica e tenha desenvolvido alienação mental galopante. Entretanto, simpatizo com as ideologias canhotas e namoro as anárquicas. Não, não posso alegar isso. Já sei! Tenho a latente lembrança de perder um cruzeiro destinado a hercúlea missão de comprar o sorvete de sobremesa do almoço de domingo. A família toda esperando. Nunca me recuperei totalmente, talvez com alguns anos de sessões estóicas consiga superar o trauma.
Não é possível. Deve haver mais alguma grande tragédia que minha mente transtornada não consegue captar. Pobre alma. É tão difícil viver sem dor. Talvez na próxima sessão eu aprenda a arte da culpa.
Correra vinte quilômetros em duas horas, leve como um pássaro.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 11:51
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Sábado, Março 15, 2008
Juramento
Ficarei por toda a eternidade me alimentando de teu olhar
À sombra de teu guarda-sol pendurar-me-ei no penhasco de teus cachos
Nadarei no mar do teu colo até que do ventre brote
A flor de Nápoles guardiã dos sonhos em negativos
Registrado na imagem ficará imortalizado
O amor sobre a estante de nossa filha.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 12:13
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14 de março
Aos que comem letras no café-da-manhã
Aos que dormem sobre o leito das rimas
E se cobrem com o manto da intimidade
Aos que sofrem com a flor e brilham com a chuva
Aos matemáticos da alma livre de cálculos
Aos engenheiros do amor e do ódio
Aos que matam e parem impunemente madrugadas
Aos suculentos
Aos intangíveis
Aos voláteis
Aos etéreos absolutos
Poetas,
Parabéns pelo seu dia.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 12:12
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Sábado, Março 01, 2008
Manga com leite
Entrou no boteco, bateu no balcão e gritou:
- Bota aí um copo de leite batido com manga e chumbinho que hoje eu quero morrer!
- Leite com manga? Não tem não senhor.
- Ah! Então traz cachaça de cabeça e um chope. Na pressão. Demoro a morrer, mas morro!
Virou o pedido e devorou uma empada de frango para empapuçar logo. Quem sabe conseguiria acabar com o sofrimento entalado? Fumou três cigarros emendados um no outro para não apagar. Tossiu tal qual cachorro sarnento, cuspiu no chão e latiu:
- Hoje eu morro! Sai mais uma manga com leite na pressão!
- ?
- O mesmo! O mesmo! Tem que explicar tudo aqui...
Mais três cigarros e pensou na Lurdinha rebolando com a safadeza dos dentes arreganhados no pagode. Aquelas toras de pernas suadas esbarrando em tudo quanto é tipo de malandro. Malvada.
- Hoje eu morro e ela vai chorar rosas vermelhas de sangue no meu caixão! Mais um queijo com molho de manga!
Abraçou os olhos com as mãos para não ver a lembrança de Lurdinha entrando no banheiro com o playboy. Saindo toda serelepe, se ajeitando. Passando diante de seu desespero e soprando uma dúvida de hálito doce em seu ouvido. Saindo gargalhando em ondas pela calçada morena. Levou com ela o perfume da dama-da-noite, flor do verão. O mundo ficou sem cheiro, sem som, sem dentes.
- Vou morrer banguela! Cadê minha manga com leite? Traz mais! Traz mais!
Enfiou a mão entre os botões da camisa encontrando o próprio coração destroçado. Bufou com a imagem de Lurdinha chegando sorrateira num comprimento único: apertando levemente seu mamilo esquerdo. Gritou:
- Sai um chantilly de manga!
Esvaziou os copos enquanto tentava equacionar Lurdinha no lado dormente do cérebro. Gemeu:
- Lurdinha...
- Ôi, amor!
Mão quente no mamilo esquerdo.
- Traíra! O que você está fazendo aqui? Veio assistir o meu fim?
- Já chapou o coco, nego?
- Eu vi tudo...Você no banheiro com o playboy...
- O Marcelinho?
- Não brinca comigo, minha flor, que eu sou capaz de fazer uma loucura...
- Você está com ciúmes do Marcelinho? Ah! Bobinho, da fruta que eu gosto ele come até o caroço.
- Jura?
- E precisa?
- Hoje eu morro!
- Vem cá meu nego...
- Eu morro...Eu morro...
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 16:22
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Mia Chica
Qualquer pia
Outros latem
Todos falam
Mas só Chica mia
Pele e osso mia
Olhos verdes turvos
Mia pêlo desgrenhado
Mas mia Chica
Orelhas baixas
Rabo mia enrolado
Boca seca, entretanto
Chica mia
Sangria lenta
Faça sol ou chuva
Ventania caçadora alerta
Mas dentes e unhas recolhidas
Insiste Chica e mia
Baixinho, quase um canto
Vem a noite mia
E mais outro dia
Trêmula, inspira Chica
Expira a longa felina
As patas miam
Abraço a cria
Asfixia
Bela Chica
Pura mia
Gata vida
Mia Chica
Minha.
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 16:21
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Domingo, Janeiro 27, 2008
Segredo
- Mas que merda! Tira esse troço preto fedido daqui!
- Assim estraga a amizade. Qual é o seu problema com a minha mochila? Tu é racista, nêgo?
- Racista é o cacete! Não gosto é de fedentina. O que tem aí dentro? A cabeça da tua sogra?
- Antes fosse, colega, antes fosse...Vou te mostrar.
- Nem pagando! Vira essa trolha para lá!
- Não tem risco. É de comer.
- Você acha mesmo que eu como merda?
- Não. É queijo.
- Queijo? Podre, é certo.
- É francês.
- Francês não toma banho e passa o queijo no sovaco enquanto prepara. Estou até vendo a cena...Credo...
- O gosto é bom.
- Deixa eu ver esse negócio.
- Vou cortar um pedacinho para você experimentar...
- Feio, ein?...Está mofado, seu idiota, joga essa porra fora!
- Só um pedacinho...
- Parece maluco. Tá querendo me envenenar?
- Pára com isso, cara, você precisa quebrar esse paradigma, experimentar coisas novas...
- Vou dizer já o que eu vou quebrar...
- Ummm...Está uma delícia. Nossa, pena que você não consegue...
- Se eu comer esse bolor você pára de me encher o saco?
- Agora.
- Pedaço pequeno que é para não intoxicar muito...
- Gostou?
- Onde foi que você comprou essa porcaria?
- Na Chic Import em Ipanema.
- Caralho, deixou os ovos lá empenhados?
- Mais ou menos. Mas vale cada centavo!
- É, não é tão ruim assim...Mas é coisa de veado. E a patroa, está sabendo dessas novas preferências?
- Nada a ver, cara, desencana.
- Vamos comer esse breguete que está muito bom. Mas se você sair por aí falando...Eu nego! Eu nego e acerto as contas contigo depois. Vai, vai, porra, dá um palito aí e vê se não come tudo!
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 13:47
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Calor, né?
- Moço, aperte o número 23, por favor! Muito grato.
- 12
- 5
- %#@!!
- Senhor, qual o andar mesmo?
- É surdo? 28.
- Calor, né?
- Vai chover.
- Ôô...
- Ainda bem que a viagem é rápida.
TREC
- Vocês ouviram um TREC?
- Devem ser os cabos...
- Ou os freios...
- Freios?
- É assim mesmo.
TREC-TREC. Luz apaga. Pára tudo.
- Ai meu-deus-do-céu!!
- Calma, não foi nada...
- Como “nada”? Não enxergo nada!
- Vão ligar os geradores...
- Daqui a pouco...
- É só ter paciência...
- É...
- Aperta o botão vermelho!
- Botão vermelho?
- Onde?
- Ôi?
- Virgem Maria! Valei-me meu Jesus Cristinho! Não deixe que eu morra nesta lata de sardinha!!
- Ninguém vai morrer aqui. Vamos sentar e esperar.
(...).
- Tô com o ar faltando...Uma angústia no peito...
- Mas só se passou um minuto...
- Não interessa, tô preso, sem ar.
- Ih...O cara vai dar defeito...
- Ninguém merece...
- Relaxa, cara...
- Deixa de merda...
- Ai, minhas mãos estão dormentes, suando frio, a vista escurecendo...Ui...
- Bate palmas...
- Abre e fecha as mãos...
- Faz pressão na nuca e sopra...
- Vou te encher de porrada se não parar com essa frescura, caralho!
- Passou!! Dia quente, né?
- Ôôôô...
posted by CATARINA M DE LIMA CUNHA 13:06
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